Regiões Portuguesas Manual do Vinho

Alentejo

 

Das grandes regiões de Portugal, o Alentejo talvez tenha sido uma das últimas a despertar para a produção de vinhos.

Mas quando o fez, foi em busca da qualidade, tanto que hoje em dia é a que apresenta a qualidade média mais elevada, quando comparada às demais regiões. Alentejo, é a maior província de Portugal, é limitado ao norte pelo rio Tejo, a noroeste pela Estremadura, a oeste pelo oceano Atlântico, a leste pela fronteira com a Espanha e ao sul pelo Algarve. O potencial vitivinícola  da região só começou a ser explorado e reconhecido nas duas últimas décadas. Embora os romanos tenham introduzido a vinha na região durante a Antiguidade, no período autoritário de António de Oliveira Salazar (1932-1968)

No início dos anos 1970, voltou-se a investir nos vinhedos e na modernização das adegas. Neste  período ainda eram muito comun usar grandes talhas e tanques de concreto para a fermentação das uvas, e não se fazia controle de temperatura. A modernização trouxe tanques de inox, controle de temperatura e uma higiene muito maior.

Talhas de barro: para a fermentação de mostos e posterior armazenagem de vinho utilizadas, ainda hoje, uma prática corrente, parte integrante da afirmação cultural alentejana. Talhas de barro de todos os tamanhos e feitios, com extremos que podiam chegar a conter 2.000 litros de mosto, com pesos próximos da tonelada e uma altura de quase dois metros.

Talhas de barro para a fermentação de mostos e posterior armazenagem de vinho cuja praxis constitui, ainda hoje, uma prática corrente, parte integrante da afirmação cultural alentejana. Talhas de barro de todos os tamanhos e feitios, com extremos que podiam chegar a conter 2.000 litros de mosto, com pesos próximos da tonelada e uma altura de quase dois metros.

Talha

Para saber como são feita as talhas acesse: Talha 

Métodos tradicionais como a pisa a pé e as talhas, ainda são hoje utilizados por alguns produtores mas com muito controle e técnica.

O Alentejo é cheio de planícies com pequenas serras, os campos são repletos de oliveiras e sobreiros. Das oliveiras saem alguns do bons azeites do país do azinheiro, O sobreiro por sua vez, é o responsável pelas rolha de cortiça, até hoje o melhor método para se fechar um vinho. O clima mediterrâneo continental, com verão seco e bastante quente em que a temperatura chega facilmente aos 40 °C. Chove pouco durante o ano, de 500 a 600 mm, concentrados principalmente nos meses de Novembro a Março, longe período da vindima, que começa Agosto. São perto de 3 mil horas de sol anualmente. A reunião de pouca chuva e muito sol favorece o pleno amadurecimento das uvas, condição básica se elaborar um grande vinho.

O Alentejo está dividido em oito sub-regiões para a produção de vinhos

  • Borba

é a segunda maior sub-região do Alentejo, espraiando-se ao longo do eixo que une Estremoz a Terrugem, estendendo-se por Orada, Vila Viçosa, Rio de Moinhos e Alandroal, terras pontuadas por solos únicos, depósitos colossais de mármore que marcam de forma indelével e decisiva a viticultura e o carácter dos vinhos da sub-região.
As manchas alargadas de xisto vermelho, distribuídas heterogeneamente por terras pobres e austeras, constituem a tipologia alternativa marcante de Borba, naquela que é uma das sub-regiões mais dinâmicas do Alentejo.
O microclima especial de Borba assegura índices de pluviosidade levemente superiores à média, bem como níveis de insolação ligeiramente inferiores à média alentejana, proporcionando vinhos especialmente frescos e elegantes.

  • Évora

Num passado longínquo, durante o remate final do século XIX, Évora gozou de um prestígio inimaginável, tendo sido reconhecida como uma das sub-regiões mais vistosas e admiradas do Alentejo, berço de muitos dos vinhos mais cobiçados da região.
A filoxera, primeiro, logo seguida pelo estigma da campanha cerealífera do Estado Novo, encarregaram-se de suprimir quase por inteiro a vinha na sub-região, relegando Évora a um esquecimento forçado.
Foi preciso esperar até ao final da década de oitenta do século passado para assistir ao renascimento de Évora, capital e parte integrante do Alentejo central. A paisagem é dominada pelos solos pardos mediterrânicos, numa paisagem quente e seca que é berço de alguns dos vinhos mais prestigiados do Alentejo.

  • Granja-Amareleja

A Granja-Amareleja espraia-se pela zona da raia, paredes-meias com a fronteira espanhola, disposta em redor da vila de Mourão, condicionada por um dos climas mais áridos e inclementes de Portugal.
Os solos paupérrimos são forrados a barro e xisto, oferecendo produções e rendimentos baixíssimos, traídos pela recorrente falta de água, pela quase ausência de matéria orgânica e pela superficialidade da cobertura vegetal.
É uma zona de extremos que dá corpo a vinhos pejados de personalidade. Os Verões muito quentes e secos implicam maturações precoces, dando azo a vinhos quentes e suaves, de grau alcoólico elevado.
A casta Moreto, uma das variedades mais características da sub-região, adaptou-se especialmente bem à região.

  • Moura

O clima revela uma forte tendência continental, com amplitudes térmicas dilatadas, Invernos frios e rigorosos e Verões tórridos, secos e prolongados.
Os solos são especialmente pobres, com o barro e o calcário a alternarem na paisagem, solos pouco profundos, duros e inclementes para a vinha mas com boa capacidade de retenção de água.
A casta Castelão domina a paisagem por inteiro, bem adaptada aos rigores de um clima tão extremado.
Os vinhos de Moura apresentam um perfil quente e macio, com graduações alcoólicas consequentes.

  • Portalegre

De todos os oito Alentejano sub-regiões, Portalegre difere da maioria na originalidade e carácter. Aqui, nada está em conformidade com o que é tradicionalmente Alentejo, de solos de vinhedos, de altitude à idade das vinhas. Vinhas são encontrados principalmente no sopé da Serra da Mamede, cujos picos rochoso pode chegar a mil metros.
Altitude significa que o clima é mais frio e mais úmido do que as planícies do Alentejo, produzindo vinhos frescos e elegantes … mas igualmente poderoso.
O terreno predominantemente granito é intercalada com pequenas manchas de xisto nas áreas inferiores. Os Vinhedo tendem a ser fragmentado nestes montes, divididos em inúmeras pequenas tiras de vinhas muito velhas, muitos dos quais podem estar em seus setenta anos.
Curiosamente, castas francesa Cinsault e do Grand Noir sempre foram plantadas aqui, uma das muitas excentricidades de Portalegre.

  • Redondo

A Serra d´Ossa, um dos maiores acidentes orográficos do Alentejo, eleva-se a cerca de 600 metros de altitude, dominando e delimitando a sub-região do Redondo, resguardando as vinhas a Norte e Nascente, proporcionando Invernos frios e secos compensados por Verões quentes e ensolarados.
Os solos, apesar de heterogéneos, como é regra no Alentejo, privilegiam os afloramentos graníticos e xistosos dispostos em encostas suaves com predominância na exposição a Sul.
É uma das sub-regiões mais consistentes face à proteção que a Serra da Ossa oferece.

  • Reguengos

É a maior das sub-regiões do Alentejo, assente em terrenos pobres e pedregosos, repleta de afloramentos rochosos que marcam de forma dramática a paisagem de Reguengos.
Os solos xistosos e o clima profundamente continental, com Invernos muito frios e Verões extremamente quentes, condicionam a viticultura, oferecendo vinhos encorpados e poderosos, com boa capacidade de envelhecimento.
Apesar da dimensão, Reguengos é uma das sub-regiões onde a propriedade se encontra mais fragmentada, com áreas médias de vinha reduzidas para as referências tradicionais alentejanas.
Reguengos é reduto de algumas das vinhas mais velhas do Alentejo, reservas únicas de clones e variedades hoje quase perdidas.

  •  Vidigueira

A falha da Vidigueira que marca a divisória entre o Alto e o Baixo Alentejo, determina a razão de ser da Vidigueira, a sub-região alentejana situada mais a sul.As escarpas da falha, de orientação Este-Oeste condicionam o clima da Vidigueira convertendo-a, apesar da localização tão a sul, numa das sub-regiões de clima mais suave do Alentejo.
Os solos são pouco produtivos, predominantemente de origem granítica e xistosa.

A Vidigueira alberga a Tinta Grossa, uma das variedades mais misteriosas do Alentejo que alguns apontam como heterônimo para a casta Tinta Barroca.
Apesar da localização tão a sul, a Vidigueira foi durante anos palco privilegiado para os vinhos brancos alentejanos, graças ao clima temperado da sub-região.Os vinhos classificados em três categorias os rótulos correntes trazem a indicação vinho de Mesa, no patamar Super predomina o Vinho Regional Alentejano os vinhos de melhor qualidade que atendem às exigências da legislação local recebem a menção Vinhos de Qualidade Produzidos em Região Determinada (VQPRD).

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